Quando o Aerosmith "revolucionou" ao regravar Walk this way com o Run DMC, muitos roqueiros invariavelmente torceram o nariz. Mas outros, e também quem gostava de rap e afins, aprovaram e fizeram desta parceria um dos motivos da ressurreição da banda nos anos 80. Um destaque também foi o clipe onde eles literalmente quebraram as paredes entre os 2 mundos, além de já terem feito o mesmo musicalmente.
A mistura dos gêneros, até então bem inusitada, passou a ser cada vez mais comum, e a alcançar bastante sucesso. Bandas como Faith No More, Living Colour, Rage Against the Machine e Red Hot Chili Peppers incorporaram elementos de rap e hip hop, enquanto os Bestie Boys fizeram uma transição ainda mais radical no seu som. Diversos rappers também passaram a colocar mais guitarras pesadas em suas músicas.
Após o fim dos anos 90 minha impressão é que esse movimento perdeu boa parte da sua força, ao menos no mainstream. Os dois estilos voltaram a ser mais segregados, cada um mais na sua, salvas algumas exceções que sempre existem. As tais bandas de rock com estas influências tiveram seus ciclos de idas e vindas, e no fim das contas é seguro dizer que olhando o rock como um todo a importância e influência do rap e hip hop é pequena. E bem menos relevante que outros marcos como a psicodelia dos anos 60 e 70, o hard dos 80, o grunge dos 90 ou qualquer tendência mais recente.
Isso tudo em parte explica a reação de muitos fãs quando um guitarrista como Nuno Bettencourt (sim, eu sou suspeito pra falar, rs) resolve aceitar tocar com a Rihanna. Vários se enganam ou se recusam a acreditar que é por opção e por gostar do som, e não apenas por dinheiro. Outros pensam que pode ser jogada de marketing e que pode ajudar na divulgação do Extreme ou de outros trabalhos. Isto se provou que seria meramente uma conseqüência natural do fato de tocarem juntos, pelo simples fato do relativo pouco destaque dado ao guitarrista (os holofotes e microfones estão sempre na Rihanna). Alguns fãs também torcem o nariz simplesmente por inveja.
Obviamente não é como tocar com uma banda de rock como o Extreme, mas independente de quanto tempo isso ainda vai durar e o quanto isso de fato atrapalha a banda (espero que não muito), eu respeito e apoio a decisão e a acho certíssima. Nuno sempre foi autêntico em relação à música que quer tocar e esta não é uma exceção. Independe da situação financeira que ele está, que também não acredito ser ruim e que de qualquer forma não temos como saber ao certo. Em outras palavras, acredito que se ele estivesse na pindaíba total e fosse chamado para tocar com ela e ela não fosse tão famosa e não pagasse bem, ele também iria. De qualquer forma é claro que ele também não deve estar reclamando, rs.
Quem de alguma forma acabou indo parar no mesmo palco que Nuno e Rihanna e apresento-lhes é Carl Restivo. Carl é um garoto prodígio cantor, produtor e multi-instrumentista de grande talento. Possui no currículo o grande hit "Hips Don't Lie" da Shakira e outras parcerias com Wyclef Jean. Tocou algumas vezes com o próprio Nuno no Extreme (baixo), eu estava lá! E também com Nuno e Perry Farrell no Satellite Party. Carl é ainda diretor musical da Paul Green School Of Rock em Hollywood, inspirada no famoso filme com Jack Black e que existe de verdade!
Uma vez introduzido, ele tem músicas altamente recomendadas em http://www.myspace.com/carlrestivo. Qual o estilo que ele faz? Simplesmente a mais perfeita mistura de rock com hip hop que já ouvi até hoje! Tendo seus contatos e participações nos dois meios, Carl naturalmente se desenvolveu justamente no estilo que Aerosmith e Run DMC começaram há mais de 20 anos. As amostras no myspace me parecem muito bem escolhidas: a balada Summer e 2 rocks mais funkeados.
Carl também colabora com Tom Morello no Street Sweeper Social Club - http://www.myspace.com/streetsweepersocialclub, mais uma banda que demonstra uma boa mistura de rock e rap. E nada disso é coincidência, pois também não é por acaso que Tom é fã de Nuno!
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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