quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Paranando - 3) O novo "marumbista"

Boa noite! (ou dia ou tarde)

Continuando minha saga em setembro último em terras paranaenses, após os primeiros dias em Morretes (PR) e a primeira incursão mata atlântica adentro (vide este post), outros desafios me aguardavam...

O primeiro foi um passeio de bicicleta pelas redondezas da cidade. Antes de começá-lo o dia era promissor, permitindo algumas fotos da cidade com tempo bom (para vê-las melhor basta clicar):

Só que antes de começarmos as coisas mudaram um pouco...

Mas tudo bem, dei sorte de mais pessoas terem agendado e que também não hesitaram em ir de qualquer forma! E lá fomos nós de capa de chuva mesmo, que logo seria desnecessária.

Passamos por um pouco da parte rural do município, bem simples e por estradinhas de terra, atravessando riachos e chegando a uma famosa "curva do rio" para um primeiro pit-stop, hehe.

Um pouco mais adiante, uma travessia por uma pontezinha pênsil interessante! O jeito recomendado foi atravessar segurando a bike em uma roda:

Pra terminar o passeio de bike fomos então visitar a Casa Poletto, produtora da premiada cachaça "Ouro de Morretes", com direito a um tour explicativo pela fábrica e uma breve degustação, rs.
Não tenho boas fotos de lá e dificilmente tomo cachaça, mas como fomos bem recebidos e o passeio foi bom, deixo aqui os links e a recomendação pra quem curte a caninha:
- Site oficial, atualmente sendo revisado mas qualquer hora deve ficar bacana;
- Facebook oficial bem bacana, com algumas fotos da pousada, alambique, Morretes e redondezas.


Bom, agora vamos ao "prato principal" que não é o barreado, rs.
É mais uma trilha, com início também pelo mesmo caminho do Itupava relatado no post anterior, mas com destino ao topo do conjunto Marumbi, um dos pontos culminantes da Serra do Mar paranaense com seus 1.539 metros de altitude. O local é venerado por alpinistas e importantíssimo para a história do montanhismo no Brasil. Para minha sorte não precisa de equipamentos para subir, mas sim de uma boa condição física e de muita disposição! (além de água e comida, é claro)

Aqui a visão ainda distante do meu destino:

Aqui a visão a partir da estação Marumbi, base de onde saem as diversas trilhas (indicadas no quadro).
O começo da trilha escolhida (a branca) é relativamente tranquilo, sendo necessário apenas um pouco de cuidado para atravessar as pedras junto à cachoeira dos marumbistas. Também nota-se ainda estar na mata das encostas mais baixas, e aos poucos se ganha altitude.
Logo percebo que a subida não é nada tranquila, rs, mas sigo. E com a ajuda de cordas e raízes das árvores se chega a uma zona mais aberta e com vista mais ampla:
A grande novidade pra mim, e que assustou um pouco no princípio, foram os trechos com degraus fincados na rocha, também chamados grampos ou "via ferrata".
Apesar de alguns trechos serem consideráveis em altura e quantidade de algumas poucas dezenas de grampos, optei pela filosofia de ir subindo sem pensar muito e não olhar pra baixo! E se preocupar com a volta depois, rs.
E isso funcionou bem, depois de mais um pouco de subida cheguei ao Olimpo!

O nome é dupla homenagem à mitologia grega e ao farmacêutico Joaquim Olimpio, que liderando uma das primeiras equipes de montanhistas do país fez esta façanha em agosto de 1879 (!), com beeem menos condições que as atuais, evidentemente, e necessitando de 5 dias.
Apenas para reforçar, esta é reconhecida como a primeira e mais antiga ascensão "montanhística" do Brasil, caracterizada pelo prazer pela aventura e com a finalidade de apreciar as belezas da região.
Enfim, segue algumas fotos do visual da Serra do Mar e um pedaço da Baía de Paranaguá a partir de cima das nuvens!
Como não poderia deixar de ser deixo um registro no caderno do cume:
Como o vento frio ali não estava fraco, depois dos registros e de um lanchinho já é hora de voltar. A descida se mostra tão ou mais difícil que a subida, devido aos cuidados necessários para não rolar montanha abaixo, rs.

Mas chego inteiro e plenamente satisfeito, com a sensação de missão cumprida!
Cansado sim, mas também revigorado. Com um pouco de abertura do tempo vejo de longe quase sem acreditar o belo local onde estava, e retorno a Morretes para o merecido descanso.


Antes de encerrar este fascinante capítulo da viagem, somente quero deixar um link bem legal sobre a história da conquista do Marumbi. É isso, até o próximo post!!!

iMontanha - Conquista e Evolução do Montanhismo no Marumbi

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Paranando - 2) Às margens do Nhundiaquara

Após o começo da 2a jornada (vide este post) e a chegada de trem a Morretes, vamos mostrar um pouco da terra do barreado e das subsequentes aventuras pelas suas redondezas.

Antiga terra dos carijós, no começo do século XVIII os portugueses fundaram o povoado no meio da corrida do ouro. Morretes não demorou a prosperar, dada sua localização entre o litoral e a serra. Curiosamente, com a estrada de ferro no século seguinte veio um período de decadência, porém depois disso a cidade aos poucos desenvolveu sua vocação turística explorando sua história, natureza e culinária.

Um primeiro passeio básico mostra a beleza do centro histórico às margens do rio Nhundiaquara e junto à Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto: (para ampliar basta clicar nas fotos)

De uma das pontes vemos os morros que dão nome à cidade:
Uma das pracinhas com um típico coreto, e uma das pontes de ferro sobre o rio:
Igreja de São Benedito:
Mais uma simpática ponte de ferro:
Aqui o Hotel Nhundiaquara, sempre visto nos cartões postais da cidade. Dizem que é o prédio mais antigo da cidade por ainda ter paredes do século XVII.
Aqui uma das homenagens espalhadas pela cidade a seus moradores ilustres. No caso, Lucio Borges, poeta e escritor:
Uma breve pausa no post pois o trem está passando!

Bem, agora vamos ao primeiro dia de trilhas. A partida é do Porto de Cima, que fica um pouco afastado do centro.
Em épocas com tempo melhor é o lugar perfeito para prática do boia-cross! Mas estando no fim do inverno me contento só com a vista do rio mesmo.
Escolho percorrer parte do importante Caminho do Itupava, que foi por um bom tempo a principal ligação entre a planície litorânea e o alto planalto paranaense. A trilha vem desde a "Borda do Campo" que está a uns 20 km de Curitiba.
O atrativo principal é estar no meio de uma reserva de mata atlântica ainda bastante preservada, com direito a riachos límpidos, pontes e passando eventualmente pelos trilhos do trem da Serra do Mar. Mais sobre o caminho pode ser encontrado aqui.
Eventualmente também vemos um pouco da fauna local.

O ponto principal visitado este dia, e um dos atrativos do Itupava, é o Santuário do Cadeado. A única placa lá estava pichada e não ajudou nada a entender coisa alguma, logo uma busca aqui revelou que o ponto era o local de um escritório da comissão construtora da estrada de ferro, onde a Princesa Isabel chegou a passar com o Conde D'Eu quando a ferrovia foi inaugurada!

Então na década de 60 a edificação anterior foi demolida e sobre sua fundação foi construído o atual mirante e a curiosa capela em forma de cadeado. A aparente razão disso é que o local era uma passagem difícil durante a construção, logo foi cavada ali uma vala curva com explosivos, que lembrou o formato de antigos cadeados, por isso ali é a Passagem do Cadeado. A nossa senhora alguém colocou depois em algum momento, rs.
Após algum tempo ali descansando, vendo a paisagem e intrigado pelo tal santuário, passa o motivo dessa história toda, rs.

Bom, deste dia de trilha é isso basicamente, só queria deixar também as fontes dos sites sobre o santuário, bem bacanas e com mais fotos para quem quiser ler ou ver mais.
- Página no site do Caminho do Itupava
- Blog Lugares Esquecidos

Na volta à civilização, segue mais uma charmosa igreja, a de São Sebastião, que fica no Porto de Cima:
E para encerrar o dia de caminhada, finalmente um merecido Barreado!!!
É o típico prato do litoral paranaense, de Morretes e de todo o estado também. De origem açoreana, é uma carne cozida até desmanchar em panela de barro, e que mesmo requentada mantém o seu sabor (não saberei se foi o meu caso). Adiciona-se farinha de mandioca até que a massa fique com a consistência que dá nome ao prato! Porém achei melhor não adicionar tanta farinha assim... Enfim, o que importa é que a refeição estava ótima e foi aproveitadíssima, hehe.

É isso por hoje, a saga morreteana e paranaense ainda continuará aqui em um futuro próximo, até!